ACRETISMO PLACENTÁRIO

Por: Iara Pereira | Texto Aprovado pelo Conselho Médico do MediFoco
Atualizado em 08/11/2012

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Acretismo placentário

 

O acretismo placentário nada mais é que a aderência anormal da placenta na parede uterina e sua base histopatológica consiste na ausência ou na desordem da decídua basal.

A aderência placentária anormal pode se dar de três formas: Placenta acreta, quando os cotilédones se aderem diretamente ao miométrio, increta quando se verifica histologicamente invasão miometrial e percreta que atinge toda espessura muscular, podendo acometer a serosa uterina, sendo uma causa freqüente de hemorragia pós-natal.

Nos últimos 50 anos, a prevalência do acretismo aumentou em grande escala, porém com dados muito divergentes na literatura, variando de 1:540 a 1:93000 partos e isto provavelmente está associado ao aumento do número de cesáreas, multiparidade, miomectomias, curetagens prévias entre outros procedimentos muito realizados nos últimos anos. A placenta acreta é a mais comum.

Os principais fatores de risco envolvem situações capazes de produzir decidualização defeituosa como placenta prévia, implantação no segmento inferior do útero por uma cicatriz de cesariana prévia e curetagens uterinas prévias. Além disso outros fatores também podem promover este estado como idade materna maior que 35 anos, multiparidade, defeitos endometriais (Sd. de Asherman), leiomioma submucoso e tabagismo.

Clinicamente, a paciente pode apresentar hemorragia profusa, hematúria na gestação e rotura uterina durante trabalho de parto. Sangramento ativo anormal antes da remoção da placenta também é indicativo de acretismo placentário.

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O diagnóstico pode ser realizado durante a gestação com a realização de um ultrassom entre a 20ª e 24ª semana. Os sinais sugestivos são adelgaçamento da zona hipoecóica retroplacentária devido a ausência do espaço sonolucente subplacentário – decídua ba­sal, lacunas vasculares irregulares, irregularidade da espessura do miométrio basal com áreas finas e outras mais espessas ou ausentes e presença de vasos tortuosos invadindo o miométrio, interior da placenta e parede vesical. A avaliação pelo US indica sensibilidade de 75%, especificidade de 14%, valor preditivo positivo de 50% e valor preditivo negativo de 33% para o diagnóstico de placenta acreta.

A presença de massa exofítica focal ou extensão da placenta através da serosa fora do corpo uterino é patognomônico da placenta percreta.

Na Dopplerfluxometria os sinais sugestivos são os padrões de pulsatilidade venosa associados à presença de lacunas venosas e ao fluxo venoso complexo retroplacentário.

Os critérios diagnósticos da placenta acreta na ressonância magnética são: afilamento e a descontinuidade da decídua basal e da parede miometrial, realce precoce de vasos tortuosos saindo da placenta fetal para a face materna e atingindo o miométrio. Além disso, este exame é útil para avaliar extensão do miométrio e envolvimento vesical.

Para a confirmação, o exame mais fidedigno é o anatomopatológico, quando este apresenta tecido miometrial aderido à placenta, não distingue adequadamente o miométrio e a placenta e verifica a perda da membrana basal.

Entre as complicações, as mais comuns são hemorragia maciça, coagulação intravascular disseminada e a iatrogenia cirúrgica por ligadura de ureter ou fístula por exemplo.

A conduta mais aceita no tratamento se baseia em reposição volêmica e histerectomia, uma vez que as manobras de extração manual constantemente não obtêm êxito e propiciam grandes perdas sanguíneas, além de aumentar a morbidade infecciosa.



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