AUTOCÓIDES | Planta Comigo-Ninguém-Pode

Por: Carla Ciriani Pedroso | Texto Aprovado pelo Conselho Médico do MediFoco
Atualizado em 20/09/2012

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Comigo-ninguém-pode

 

Uma substância da classe autacóides é extraída da planta Dieffenbachia picta, popularmente conhecida como comigo-ninguém-pode, possui carácter de reversibilidade do bloqueio das respostas por meio de anestésicos locais (bupivacaína).

Quando o organismo humano entra em contato com um agente agressor, seja ele químico, como é o caso da planta Dieffenbachia picta, ou mecânico, ocorre liberação de autacóides (prostaglandinas, bradicinina, histamina e serotonina) no local da agressão. Isso desencadeia uma resposta inflamatória: alérgica, tóxica ou de outro tipo.

Autacóides são mediadores químicos do corpo humano com atividade fisiológica e fisiopatológica. São produzidos por vários tecidos, sendo denominados hormônios locais, hormônios teciduais ou agentes autofarmacológicos. Podem ser liberados quando há lesão celular, ou seja, na inflamação ou trauma. Consistem em um conjunto de substâncias naturalmente produzidas com estruturas, e, atividades farmacológicas diferentes, correspondendo a um grupo de mediadores da inflamação e alergia.

Essas substâncias medeiam à resposta inflamatória, propiciando a chegada de mais células inflamatórias e de auxiliam no combate a antígenos. Atuam promovendo a vasodilatação, aumentando a permeabilidade vascular e a transmissão de sinais sensitivos. Esses efeitos vasculares causam o extravasamento de líquido do plasma para o interstício (edema), o rubor e o calor apresentados na pele.

A histamina é um dos mais importantes autacóides, sendo liberada por mastócitos e basófilos, principalmente. Ela possui quatro receptores (H1, H2, H3 e H4) que funcionam via proteína G, sendo rapidamente metabolizada. Os receptores H1 e H2 são ativadores da adenilil ciclase, promovendo a vasodilatação por meio da liberação de óxido nítrico e ativação da fosfoquinase A; contraem as células endoteliais vasculares aumentando a permeabilidade; e contraem os músculos lisos extravasculares (broncoconstrição e peristalse). O receptor H3 tem alta concentração nas terminações nervosas estando envolvido no sono e vigília e na liberação de peptídeos pelos nervos. O H4 tem grande importância na quimiotaxia de eosinófilos para resposta inflamatória.

A liberação de histamina provoca uma resposta conhecida como reação tríplice de Lewis, que envolve o músculo liso da microcirculação, o endotélio capilar e as terminações nervosas sensitivas, sendo cada um responsável por um sinal ou sintoma. A primeira fase é caracterizada pelo eritema localizado por causa da vasodilatação. Em seguida, o rubor (eritema secundário) que circunda o eritema. Esse aparece por causa de uma vasodilatação reflexa criada pelas terminações periféricas, depende das fibras dos axônios sem lesões. Na sequencia, o edema e a urticária são estabilizados. Aparece um pápula por causa do aumento da permeabilidade vascular

A bradicinina pertence ao grupo das cininas e, além da ação vasodilatadora, tem grande influencia na sinapse nociceptiva. Essa forma-se a partir da clivagem de cininogênios pela calicreína. Possui receptores B1 e B2 que formam fosfolipases e estimulam a produção de substancia P, neurocinina A e prostanóides.

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A serotonina, difere dos outros autacóides, pois promove vasoconstrição, entretanto ela assim como a histamina estimula as terminações nervosas sensitivas para dor e prurido e causa broncoconstrição.

As prostaglandinas são formadas pela ciclooxigenase II (COX-II) a partir do ácido araquidônico. As PGI2 e a PGE2 são as vasodilatadoras de grande presença na resposta inflamatória. Outros mediadores também participam da resposta gerando os mesmo efeitos, como substância P e peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP).

A substância P, neurotransmissor responsável pela transmissão da dor, pertence à família das taquicininas de peptídeos e tem potente efeito vasodilatador e aumenta a permeabilidade dos vasos nos processos inflamatorios.

O peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP) é o mais potente vasodilatador até então descoberto; e, portanto, possui ação hipotensora, produzindo taquicardia.

O extrato da planta Dieffenbachia picta causa lesões, apresentando irritação na mucosa da cobaia, quando administrado por via oral. As lesões ativam as fibras aferentes sensitivas, chegam ao sistema nervoso central e desencadeiam a liberação de substâncias anti-inflamatórias, através da quimiotaxia e ativação de mastócitos e basófilos. Ressalta-se a importância do sulco da planta comigo-ninguém-pode conter cristais de oxalato de cálcio; e esses causam a lesão, desencadeando o processo de degranulação dos mastócitos e basófilos. Com o objetivo de reverter à ação dessa planta, é necessário destruir os cristais. Para isso é necessário associar bicarbonato de sódio, água morna e anestésico local. Esta planta é considerada tóxica, sendo conhecida no Brasil pelos nomes populares “aningá-do-pará” ou “comigo-ninguém-pode”. As intoxicações ocorrem em crianças e animais domésticos por ingestão ou contato de mucosas, pele e olhos com partes lesionadas da planta.

A benzocaína é um anestésico de baixa solubilidade, e pode ser administrado com outras substâncias. Alguns anestésicos são pouco hidrossolúveis e, em consequência muito lentamente absorvidos, o que diminui a toxicidade. Quimicamente são ésteres do ácido para-aminobenzóico, que perderam o grupamento amino terminal. Sua estrutura é bastante parecida com a da procaína, por exemplo. Muitos antagonistas H1 de primeira geração são potentes anestésicos locais. Eles bloqueiam os canais de sódio em membranas excitáveis, à semelhança da procaína e da lindocaína. O fármaco bupivacaína bloqueia a despolarização e consequente impulso nervoso, bloqueando a reação antidrômica, não havendo participação de uma fibra motora, apenas de fibras colaterais da sensitiva.

É de grande importância conhecer a função dos autacóides, afinal os sinais e sintomas de uma resposta inflamatória e alérgica são gerados por esses. Assim, podem-se utilizar inibidores dessas substâncias em casos de reação imune exacerbada, como a causada por plantas venenosas.



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