BEBÊ PREMATURO E SUAS COMPLICAÇÕES

Por: Iara Pereira | Texto Aprovado pelo Conselho Médico do MediFoco
Atualizado em 10/11/2012

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Bebê prematuro

 

A duração de uma gravidez é considerada normal quando o parto acontece entre a 38ª e a 42ª semanas de gestação. Nos casos em que os bebês nascem antes da 38ª semana da gestação, então estamos perante um bebê prematuro ou também denominado de pré-termo.

O recém-nascido prematuro caracteriza-se pela imaturidade do seu organismo, tornando-se mais vulnerável a determinadas enfermidades. Neste sentido, a prematuridade pode classificar-se, segundo a idade gestacional, da seguinte forma:

– Prematuridade Limite: compreende o grupo de bebê nascidos entre a 37ª e a 38ª semanas de gestação;
– Prematuridade Moderada: pode ser definida quando o bebê nasce entre 31ª e 36ª semanas;
– Prematuridade Extrema: são definidos como aqueles cuja idade gestacional é menor ou igual a 30 semanas, apresentando problemas mais frequentes e graves, sobretudo os menores que 27 semanas.

Complicações da Prematuridade:

Retinopatia da prematuridade: doença vasoproliferativa da retina relacionada principalmente à prematuridade, oxigenioterapia prolongadae ao baixo peso ao nascer. Apresenta uma fase inicial aguda e assintomática, na qual a vasculogênese normal é interrompida e a retina imatura apresenta uma transformação e proliferação celular. Tal fase pode evoluir para um processo fibrótico ou involuir espontaneamente, o que ocorre na maioria dos casos. As medidas importantes para prevenir a retinopatia é evitar a hiperoxemia e reduções bruscas na oxigenioterapia. O tratamento é feito em casos mais graves sendo necessário a crioterapia com intuito de prevenir o deslocamento da retina.

Doença da Membrana Hialina (DMH): caracteriza-se por um quadro de imaturidade pulmonar com consequente incapacidade de produção de surfactante. A doença é caracterizada pela formação de uma membrana semelhante à hialina que recobre os alvéolos pulmonares e o subsequente colapso do pulmão, chamado de atelectasia pulmonar. Os sinais mais precoces são gemidos expiratórios que evoluem com esforço respiratório progressivo, tiragem intercostal, subcostal, retração esternal xifóidea e fúrcula, batimento de aleta nasal. Paralelamente chama a atenção a hipoxemia com cianose progressiva. O diagnóstico é basicamente clínico, sendo o Raio X um exame com alta especificidade, apresentando alterações como redução do volume pulmonar, hipotransparência, padrão reticulogranular difuso e homogêneo que caracteriza o aspecto de vidro moído, sendo característico da DMH. O tratamento baseia-se na oxigenioterapia na incubadora ou pelo Hood com objetivo de manter os níveis de PO2 dentro do limites, o CPAP se o RN apresentar com uma gasometria arterial com PO2 menor que 50 mmHg e a ultilização de surfactante exógeno que atua diminuindo a tensão superficial dentro do alvéolos reduzindo assim a tendência ao colapso alveolar.

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Crises Convulsivas: caracterizadas por alteração paroxística de atividade motora, com ou sem alteração da consciência ou do comportamento. Possuem causas como malformações cerebrais e prognósticos diferentes, sendo necessária a identificação rápida já que estão relacionadas a doenças e que frequentemente precisam ser abordadas como emergências. É necessária a realização de uma rotina de exames, sendo eles: eletroencefalograma; tomografia; ressonância; ultra-som transfontanela; exame do líquor sempre que há suspeita de infecção no sistema nervoso central, hemorragia subaracnóide e doença desmielinizante; e os laboratoriais que são glicemia capilar, ionograma (Na, K, Ca, Mg, P), hemograma, leucograma, PCR, gasometria, aminotransferases, bilirrubinas. O tratamento será baseado de acordo com os resultados dos exames tratando as doenças de base.

Crise de apnéia: é uma parada respiratória que dura mais de 15 a 20 segundos e é geralmente acompanhada de bradicardia (FC <100) ou cianose. A cianose acompanhada com queda da saturação e/ou bradicardia são indicadores de apnéia significativa, com potencial para evoluir para uma parada ou produzir repercussão no sistema nervoso central que podem deixar seqüelas. A apnéia pode ser típica dos prematuros devido à imaturidade do centro respiratório e do hipodesenvolvimento pulmonar, ou pode ser por causas diversas como, por exemplo, sepse, doença da membrana hialina grave, convulsões, entre outros. O diagnóstico é feito pela observação clínica e pela monitorização da FC e da saturimetria e o tratamento é baseado primeiramente em medidas gerais que são basicamente aquecer e melhorar o controle de temperatura, posicionar o RN em decúbito ventral com o pescoço em leve extensão, corrigir e tratar os fatores precipitantes mais comuns como a desidratação, hipoglicemia, hipóxia, convulsões, anemias, entre outros.

Icterícia: patologia importante que atinge esses recém-nascidos prematuros, que tem como causa principal a hiperbilirrubinemia indireta causada por incompatibilidade sanguínea Rh, ABO ou do antígeno D. Apresenta-se como a principal complicação o Kernicterus que é a encefalopatia bilirrubínica com sequelas permanentes. Manifesta-se por letargia e hipotonia, sucção débil, febre e convulsões, que podem evoluir com sequelas graves como retardo mental e surdez neurosensorial. Além dos níveis elevados de bilirrubina indireta, outros fatores como prematuridade, hipoalbuminemia ou drogas que competem com a bilirrubina pela ligação à albumina, hipoglicemia e hipoxemia, também podem evoluir com Kernicterus. O tratamento é baseado em fototerapia que é um método simples e muito eficiente, e nos casos mais graves em que a fototerapia não foi eficaz, a exsanguineotransfusão pode ser realizada.

Além dessas doenças, esses RNs podem também apresentar outras alterações como: hiperglicemia ou hipoglicemia, anemia, persistência do canal arterial, intolerância a alimentação, disfunção renal, enterocolite necrotizante, hérnia inguinal, displasia broncopulmonar, entre outras.



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2 Comentários para o texto: “BEBÊ PREMATURO E SUAS COMPLICAÇÕES”

  1. Janamotto disse:

    Gravida de 6 meses tive muito sangramento,uma hemorragia fora do comum,nasce meu bebe prematuro de apenas 700 gramas com o pulmão imaturo ainda,mas todo formado,pequenino mas muito espertinho,ele se mexe muito,sei que se esforço pra viver,gostaria de saber se ele tem que fazer o uso de corticoides para o pulmão dele amadurecer?e quais são os riscos de vida para um bebe prematuro?ele está em uma UTI neonatal em estado gravissimo

  2. thays da silva de godoy disse:

    estava gravida de 22 semanas quando minha bolsa rompeu.
    fiquei internada para segurar o bebe mas com 3 dias ele nasceu.
    nasceu com 30cm e 600 gramas ficou na uti neonatal por 5 dias e
    faleceu.
    eu estava com infecçao no utero e nem sabia.
    meu mundo acabou pois eu queria muito aquele menino.

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