BRONQUIOLITE – INFLAMAÇÃO DOS BRONQUÍOLOS

Por: Dr. Rodrigo da Silva Reis Moura | Texto Aprovado pelo Conselho Médico do MediFoco
Atualizado em 08/05/2012

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Bronquiolite

 

O que é?

É o entupimento das pequenas vias respiratórias (bronquíolos) por lesão inflamatória, que normalmente é causada por infecção pelo vírus sincicial respiratório em crianças pequenas, ocorrendo na maioria dos casos em menores de 1 ano de idade. Este entupimento começa com lesão inflamatória da membrana, seguida de reparo por multiplicação de tecido rico em colágeno (tecido de granulação), resultando em obstrução da luz bronquiolar. Este processo pode se resolver por conta própria ou deixar sequelas através do aparecimento de fibrose.

Será abordado a partir de agora:

– O que causa e como se apresenta?
– Quais os sinais e sintomas?
– Quais os exames para a bronquiolite?
– Que doenças pode se confundir com a bronquiolite?
– Como se comprova o diagnóstico?
– Como a doença evolui?

Causas e formas de apresentação:

Bronquiolite celular: Apresenta infiltrado celular na luz e na parede bronquiolar. Na maioria das vezes, vêm associadas a infecções virais (vírus sincicial respiratório), fúngicas e bacterianas, incluindo as micobactérias. Descrita também nas pneumonites de hipersensibilidade, asma brônquica e bronquiectasias.

Em associação com a AIDS/SIDA, doenças do colágeno e doenças linfoproliferativas, pode ocorrer o subtipo bronquiolite folicular, composta por folículos linfóides hiperplásicos ao longo dos bronquíolos.

A bronquiolite difusa é mais encontrada em asiáticos e em conjunto com a sinusite e obstrução crônica das vias respiratórias. Acúmulo bronquiolocêntrico de macrófagos vacuolizados e inflamação crônica caracterizam este subtipo.

Bronquiolite respiratória: Geralmente vem junto com história pesada de tabagismo, e normalmente associada com pneumonia intersticial.

Bronquiolite proliferativa: É a bronquiolite obliterante com pneumonia em organização (BOOP) ou pneumonite organizante criptogênica que tem presença de plugs de tecido de granulação intraluminar no estudo anatomopatológico. Relatada na forma de causa desconhecida, também vem associada às colagenases, pneumonite de hipersensibilidade, pneumonia aspirativa, reações a drogas, fumaças, toxinas e radioterapia, reação enxerto hospedeiro e colite ulcerativa.

Bronquiolite constritiva: Doença caracterizada por redução circular dos bronquíolos que progride para fibrose submucosa e peribronquiolar com completo e irreversível apagamento da luz. Possui causas parecidas com à BOOP; acredita-se que seja a fase avançada das bronquiolites proliferativas graves, observadas nas doenças do tecido conjuntivo.

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Sinais e sintomas:

– Febre em alguns pacientes
– Tosse
– Dispnéia (dificuldade para respirar)
– Manifestações clínicas da doença que apareceu primeiro

Exames complementares:

Rx e TC do tórax – Engrossamento peribrônquico, expressão das marcas intersticiais pulmonares, hiperinsuflação pulmonar, perfusão em mosaico, evidenciando áreas de transparências diferentes devido ao contraste entre áreas com perfusão normal, nódulos centrolobulares, atenuação em “vidro fosco”, aspecto de “árvore em brotamento”. Estes achados radiológicos podem se associar nos diversos tipos de bronquiolite.

Espirometria

– Bronquiolite constritiva: desordem ventilatório obstrutiva
– Bronquiolite proliferativa: desordem limitativa ou mista. Desordem obstrutiva fixa em pacientes que não fumam indica a possibilidade de bronquiolite constritiva

Biópsia pulmonar – Em casos selecionados

Diagnóstico diferencial:

– Asma
– Fibrose cística
– Deficiência de alfa-1-antitripsina
Tuberculose pulmonar
– Pneumonite de hipersensibilidade
– Pneumonia eosinofílica

Como se comprova o diagnóstico?

A confirmação diagnóstica é feita através dos dados clínicos somados a alguns exames complementares.

– Rx e TC do tórax

– Espirometria

– Biópsia que é escolhida em alguns casos

Tratamento:

Na bronquiolite viral a principal conduta do médico é ofertar oxigênio para o paciente, nebulização com berotec poderá ser realizada desde que o médico observe alguma melhora nos sinais e sintomas.

– Formas agudas e graves, principalmente de bronquiolite obliterante com pneumonia em organização.

Deve ser usada a metilprednisolona por via venosa, seguida de prednisona por via oral, mantendo o tratamento por 1 ano.

– Forma de evolução lenta

Utiliza-se a prednisona, por via oral durante 3 meses e a partir daí a dose deve ser diminuída gradativamente.

Como o paciente deve evoluir após o tratamento?

Os pacientes com diagnóstico de bronquiolite pós-infecciosa e idiopática (sem causa conhecida) evoluem melhor em comparação aos pacientes que contraíram a doença após exposição a gases tóxicos e aqueles com bronquiolite constritiva.

Observações:

A eventualidade de bronquiolite deve ser cogitada naqueles pacientes com falta de ar e Rx de tórax demonstrando apenas hiperinsuflação pulmonar (aumento da área piulmonar na radiografia de tórax).

É de grande influência para o diagnóstico das bronquiolites, a história clínica, doenças simultâneas, antecedentes de doenças, usa de drogas e exposições ambientais, visto a variedade de causas e associações dessas doenças.



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