CÁLCULO RENAL | Mitos e verdades sobre as pedras nos rins

Por: Tiago Zenero | Texto Aprovado pelo Conselho Médico do MediFoco
Atualizado em 27/04/2016

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Cálculo renal, também conhecido por pedra no rim, são formações endurecidas resultantes do acúmulo de cristais presentes na urina, que podem se acumular nos rins ou nas vias urinárias. Para alguns pacientes, a presença desses cristais pode passar despercebida, mas para outros ela se manifesta com dores muito fortes nas costas e no abdômen. Tal dor começa com cólicas e tem ápices intensos seguidos de certo alívio. Em casos mais graves, as crises podem acompanhar náusea e vômito e requerer atendimento hospitalar.

O principal componente do cálculo renal, em oitenta por cento dos casos, é o cálcio. A maioria dos quais são compostos principalmente de oxalato de cálcio ou, menos frequentemente, fosfato de cálcio.

As causas para a doença são bastante variadas e podem se resultar de: volume insuficiente de urina ou urina supersaturada de sais; grande quantidade de cálcio, fosfatos, oxalatos, cistina, ou falta de citrato no organismo; distúrbios metabólicos do ácido úrico ou da glândula paratireóide; alterações anatômicas; ou obstrução das vias urinárias.Pedra nos rins

Pacientes que sentirem dores intensas para urinar e apresentarem sangue junto à urina devem procurar o médico para fazer o diagnóstico, que é dado através de: raio-X do abdômen; ultrassom; tomografia computadorizada sem contraste ou urografia excretora, um exame mais específico das vias urinárias.

Sintomas e tratamento:

Com o desenvolvimento do cálculo renal, além de dores, o paciente passa a apresentar outros sintomas mais específicos. Os principais são: sangue junto à urina, diminuição do fluxo urinário, necessidade mais frequente de urinar e infecções urinárias.

Como a existência de pedras no rim na humanidade é muito remota, havia diversas formas de tratamentos que eram utilizados na antiguidade e que hoje ficaram obsoletos, seja por sua falta de resultados eficientes ou pela melhoria do uso de tecnologia e conhecimento na medicina.

A cirurgia de talha perineal era utilizada para curar os pacientes com crises mais doloridas. A operação em si não era tão complicada, mas graças à falta do uso de anestesia e sem os cuidados de anti-sepsia, a maioria das pessoas operadas morria logo após o procedimento.

Acreditava-se também que a grande ingestão de líquidos em uma crise de cálculo renal poderia diminuir as dores, mas isso era um conhecimento leigo e sem bases científicas. O correto é exatamente o contrário, pois a ingestão de líquidos em excesso aumenta a pressão urinária no rim, o que leva o paciente a sentir ainda mais dores.

O excesso no consumo de proteína animal e de sal podem causar o cálculo renal, já o consumo de vegetais, hortaliças e frutas podem prevenir. Para maiores informações sobre a pedra nos rins e sua relação com a alimentação, leia nosso texto: PEDRAS NOS RINS X ALIMENTAÇÃO

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O tratamento correto para o cálculo renal deve ser indicado pelo médico, que analisará qual é a causa da doença. Durante as crises, como as dores são extremamente fortes, é recomentado o uso de analgésicos ou anti-inflamatórios.

O tamanho do cálculo é o principal determinante do risco de passagem da pedra espontaneamente, embora a localização da pedra também é importante. A maioria das pedras ?5 mm de diâmetro passam espontaneamente. Para pedras maiores do que 4 mm de diâmetro, existe uma diminuição progressiva da taxa de passagem espontânea, o que é improvável, com pedras ?10 mm de diâmetro. Cálculo ureteral proximais também são menos propensos a passar espontaneamente.

Encaminhar ao Especialista:

Indivíduos com pedras maiores do que 10 mm de diâmetro, com desconforto significativo, aqueles com obstrução significativa ou que não passaram a pedra depois de quatro a seis semanas devem ser encaminhados ao urologista para a intervenção em potencial.

Para a retirada da pedra, há três tipos de procedimentos que são os mais utilizados:

Litotripsia: aplicam-se pequenas ondas de choque extracorpóreo, as quais têm como objetivo fragmentar a pedra, assim sua eliminação pela urina é mais fácil. Apesar de ser o método mais utilizado, nem sempre ele pode obter o resultado esperado e também há alguns riscos, como: contusão renal e hematomas perirenais ou pararenais, pancreatite aguda, gastroduodenite aguda, arritmias cardíacas ou contusões pulmonares. A migração dos fragmentos pode causar obstrução urinária e cólica renoureteral. Após o tratamento, o paciente deve ficar atento e sempre consultar o médico, pois ainda pode desenvolver diabetes e hipertensão arterial.

Cirurgia Renal Percutânea: essa operação é feita quando o cálculo atinge mais de 2 cm, quando há alguma anomalia da anatomia intra-renal ou quando já foi realizada a litotripsia e o problema não foi resolvido. Um aparelho chamado nefroscópio é introduzido no rim, localizando os cálculos, que são fragmentados com brocas (litotridores). Os fragmentos são retirados com pinça, até a limpeza total do órgão.

Ureteroscopia: com o paciente anestesiado, o médico introduz o ureteroscópio pela uretra, assim os cálculos podem ser visualizados e terem sua imagem transmitida para um aparelho de televisão. Com brocas, é feita a fragmentação da pedra, e depois as frações são retiradas por uma cesta.

Tratamentos alternativos e curas naturais:

Existem muitos mitos de terapias alternativas para se curar o cálculo renal. É importante lembrar que curas naturais não são milagrosas e muitas vezes não têm nenhum fundamento científico. Acreditar que o consumo de cerveja ou de misturas como abacaxi e Coca-Cola darão o fim a uma pedra no rim é equivocado e pode até levar o paciente a ter algumas complicações.

Outro fator que pode ser confundido é quanto ao tratamento e à prevenção. O chá de quebra-pedra, nome popular do Phyllantus niruri, ao contrário do que o nome sugere, não fragmenta o cálculo uma vez que ele já esteja desenvolvido, mas pode ajudar a prevenir sua formação. O mesmo é verdade para xaropes e compostos produzidos a partir de tal substância, como o fitoterápico Dissol, que é sugerido pelos médicos para pacientes que já apresentaram pedra no rim, pois ele pode ajudar na prevenção (e não no tratamento) de novos cálculos.

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