DOENÇA CARDÍACA E GRAVIDEZ

Por: Clara Isabela Pereira | Texto Aprovado pelo Conselho Médico do MediFoco
Atualizado em 16/01/2013

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Doença cardíaca e gravidez

 

Apesar da assistência às pacientes cardiopatas, a doença cardíaca continua sendo uma das complicações médicas mais importantes da gestação e é considerada a causa não obstétrica mais comum de mortalidade materna. A cardiopatia reumática é a mais frequente em nosso meio, seguida pelas etiologias chagásica e congênita. Dentre as cardiopatias congênitas, as mais frequentes são: comunicação interatrial, comunicação interventricular, estenose pulmonar, tetralogia de Fallot (cardiopatia congênita cianótica mais frequente na gestação).

A gravidez e o puerpério caracterizam-se por ajustes fisiológicos de todos os sistemas do organismo materno; na paciente portadora de doença cardíaca as alterações cardiocirculatórias podem desmascarar cardiopatias não diagnosticadas ou causas e/ou agravar a insuficiência cardíaca, com risco de vida.

O volume sanguíneo aumenta em torno de 40% acima dos níveis pré-gravídicos. A hipervolemia induzida destina-se a suprir a demanda do útero aumentado. O aumento desproporcional do volume plasmático durante a gravidez resulta em hemodiluição, manifestada por queda do hematócrito e da concentração de hemoglobina, condição denominada anemia fisiológica da gravidez.

Na gravidez ocorre redução da resistência vascular periférica, com isso há diminuição da pressão arterial no primeiro e segundo trimestre da gestação.

A incidência de abortamento em pacientes cardiopatas está aumentada, principalmente quando há hipoxemia materna, ou quando são utilizados anticoagulantes orais. A ocorrência de prematuridade é associada à intensidade da insuficiência cardíaca, ao uso de anticoagulantes orais e à hipoxemia.

Pacientes com insuficiência cardíaca congestiva que ocorre precocemente e persiste, ou quando a cardiopatia se acompanha de cianose, apresentam risco maior de retardo do crescimento uterino e fetal, pois para que ocorra crescimento fetal adequado, bem como do útero e da placenta, é necessário que haja suprimento adequado de sangue oxigenado.

Em mães com cardiopatia congênita, é descrita maior incidência de cardiopatias congênitas nos seus filhos. A doença cardíaca não influencia a evolução do trabalho de parto; os períodos de dilatação, expulsão e dequitação não diferem nas cardíacas com relação à população geral. O puerpério parece não sofrer interferência da cardiopatia, mas as pacientes com insuficiência cardíaca tem maior risco de fenômenos tromboembólicos e de infecções.

A amamentação é permitida nas pacientes cardiopatas compensadas (classes I ou II). Por outro lado, na vigência da descompensação cardíaca, desaconselha-se a amamentação, em virtude das más condições físicas e da sobrecarga emocional que a mesma determina.

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Algumas lesões cardiovasculares colocam a mulher em mais alto risco de incapacidade e morte, e a gravidez está contra-indicada, são elas: síndrome de Eisenmenger, hipertensão pulmonar primária, hipertensão pulmonar esquistossomótica, coarctação de aorta grave não corrigida, síndrome de Marfan com raiz de aorta maior que 40 mm no ecocardiograma e miocardiopatia periparto.

Avaliação cardiológica durante a gravidez:

A gravidez normal é frequentemente acompanhada por alterações físicas e fisiológicas que podem ser confundidas com sinais de doença cardíaca. Frequentemente gestantes normais queixam-se de fadiga, dispneia, palpitações, ortopnéia e edema periférico. Alguns sinais alertam a presença de doença cardíaca na gravidez, como limitação progressiva da atividade física devida a dispneia progressiva, dor torácica que acompanha o exercício e síncope precedida por palpitações ou após esforço físico.

O exame físico é compatível com doença cardíaca quando há sopro sistólico rude ou clique, sopro diastólico, cardiomegalia inequívoca na radiografia de tórax, cianose, baqueteamento de dedos e distensão jugular persistente.

Assistência ao parto da cardiopata:

A cardiopatia não é indicação de antecipação do parto, a não ser que concomitantemente surja intercorrência que a exija. É fundamental o alívio da dor para a paciente portadora de cardiopatia; na condução do trabalho de parto e no parto tem sido recomendada a anestesia.

Assistência ao puerpério da cardiopata:Assistência ao puerpério

O puerpério exige controle cardiológico rigoroso, mantendo-se a paciente em decúbito elevado, recomendando-se exercícios respiratórios, deambular precoce e uso de meias elásticas para evitar o represamento de sangue nas veias dilatadas dos membros inferiores e a tromboembolia pulmonar. Mantém-se neste período a restrição do uso excessivo de líquidos.

As puérperas sob uso de anticoagulantes orais podem amamentar, desde que o recém-nascido seja extremamente bem controlado.

A alta hospitalar deve ser postergada para o mínimo de cinco dias, podendo chegar a 15 dias para as cardiopatas das classes funcionais III e IV e nas cardiopatas cianóticas.



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