DOENÇA CARDÍACA NA GRAVIDEZ – CARDIOPATIA NA GESTAÇÃO

Por: Iara Pereira | Texto Aprovado pelo Conselho Médico do MediFoco
Atualizado em 08/11/2012

PUBLICIDADE
Doença cardíaca na gestação

 

Em nosso país, a incidência de cardiopatia na gravidez é oito vezes maior comparada a estatísticas internacionais, chegando a até 4,2% em centros de referência e esta é considerada a maior causa de morte materna indireta no ciclo gravídico-puerperal.

A patologia mais freqüentemente encontrada em mulheres grávidas ainda é a estenose mitral reumática, mas tem-se observado diminuição na sua incidência paralelo ao aumento de cardiopatias congênitas.

Situações como ascensão da pressão arterial, aumento do consumo de oxigênio, da frequência cardíaca e da tensão emocional, anemia e infecções urinária e respiratória, comuns nesse período, podem determinar risco maior de complicações à cardiopata, além disto, esta paciente apresenta sobrecarga hemodinâmica, aumento do volume circulante, diminuição da resistência vascular sistêmica, hipercoagulabilidade sanguínea, intensas flutuações do débito cardíaco, piorando ainda mais sua condição.

O diagnóstico é dificultado na gestação, pois esta situação favorece o aparecimento de sinais e sintomas que podem ser tanto da gravidez quanto da cardiopatia como dispnéia (falta de ar), taquipnéia (aumento da frequencia respiratória), palpitação, síncope, sopro sistólico, edema de membros, elevação da cúpula diafragmática, aumento da pressão venosa. São elementos importantes para o diagnóstico: arritmias, sopro diastólico, sopro sistólico de no mínimo 3 cruzes. O ecocardiograma é decisivo no diagnóstico, pois avalia a fisiologia e anatomia do coração.

As cadiopatias podem se dividir em:

– Anomalias Congênitas: defeito do septo atrial, defeito do septo ventricular, persistência do canal arterial, coarctação da aorta, tetralogia de Fallot, estenose pulmonar, Síndrome de Eisenmenger;
– Doença genética: Síndrome de Marfan;
– Lesões adquiridas: Estenose mitral, insuficiência mitral, prolapso mitral, estenose aórtica, insuficiência aórtica;
– Miocardiopatias: Miocardiopatia periparto, cardiomiopatia hipertrófica, infarto do miocárdio;
– Outras: Hipertensão arterial pulmonar.

- PUBLICIDADE -

Procedimentos especiais podem ser realizados durante a gestação como cirurgia cardíaca, profilaxia secundária na febre reumática e de endocardite infecciosa e anticoagulação profilática.

As condutas a serem tomadas se dividem em Conduta geral: Consulta a cada 2 semanas com o obstetra e o cardiologista. Evitar anemia com suplementação de ferro e ácido fólico e atividade física; restringir sódio. Monitorização cuidadosa do digitálico, diurético e B- bloqueador. Ecocardiografia fetal (18-20s) pela possibilidade de transmissão congênita. Conduta no parto: O objetivo é minimizar qualquer sobrecarga adicional no sistema cardiovascular determinado pelo parto. Alcança-se este objetivo quando permite o inicio espontâneo do trabalho de parto, alivio da dor com anestesia de condução e se necessário fórceps de alivio para limitar ou evitar os esforços maternos. Manter a gestante em decúbito lateral esquerdo. Na condução do secundamento, não se deve administrar ocitocina pelo risco de hipotensão grave, assim como metilergonovina, pois pode determinar hipertensão aguda. O misoprostol pode ser seguro, embora possa causar hipertermia. A parada cardíaca é preocupação constante nas cardiopatas de alto risco. Conduta pós parto: Vigilância rigorosa até que as alterações hemodinâmicas desapareçam. Pode-se reiniciar IECAs na amamentação, pois são seguros e a reintrodução da Warfarina deve ser adiada por no mínimo 2 dias após o parto, monitorando a anticoagulação.



PUBLICIDADES


Deixe um Comentário

Antes de enviar seu Comentário, faça o cálculo abaixo: * Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.

Powered by WordPress | Designed by: Best SUV | Thanks to Toyota SUV, Ford SUV and Best Truck