HDL COLESTEROL – Uma Avaliação Profunda

Por: Dr. Eduardo Machado de Carvalho | Texto Aprovado pelo Conselho Médico do MediFoco
Atualizado em 03/06/2015

PUBLICIDADE
HDL colesterol

 

A redução dos níveis de colesterol LDL através do uso das estatinas se mostrou muito eficaz clinicamente, reduzindo taxas de eventos cardiovascular em 40% ou mais, então, para reduzir ainda mais o risco de doença cardiovascular, os estudos têm se focado sobre o HDL colesterol.

Muitos estudos que implicaram o colesterol LDL como um fator de risco de doenças cardiovasculares também relataram que os níveis de HDL colesterol, juntamente a ApoA-I, são preditores negativos do risco cardiovascular.

Níveis de colesterol HDL baixos (níveis plasmáticos <0,9 mmol / l) (35 mg/dl) prever o aumento do risco de doença cardiovascular, enquanto cada aumento de 0,26 mmol / l (10 mg/dl) está associado com uma redução de 2-3% do risco de doença cardiovascular.

Os mecanismos benéficos do HDL incluem:

O transporte reverso do colesterol ocorre através do fluxo de colesterol de fora da parede arterial para o fígado e, em seguida, ocorrendo sua excreção através da bile.

Os múltiplos efeitos pleiotrópicos, incluindo a proteção contra o estresse oxidativo, inflamação, trombose e promoção da reparação e da função endotelial.

Sempre pareceu óbvio que o aumento do número de partículas HDL, reduziria o risco de DCV. Mas, nos últimos anos, os ensaios clínicos de agentes que elevam o HDL foram interrompidos mais cedo, porque não tiveram nenhum efeito ou foram até mesmo prejudicial.

Estudos de randomização mendeliana mostraram que os genótipos associados com níveis alterados de colesterol HDL não foram associados à redução do risco de doença cardiovascular.

HDL é complexoFisiologia do HDL colesterol

A biologia do HDL colesterol é complexa em comparação com o LDL.

HDL é uma rede de partículas

O HDL é uma rede difusa de partículas com grande variação no tamanho, forma, composição e função. Possuem muitas subfrações especializadas que requerem vários métodos para a sua dosagem ou determinação.

Análises demonstram que mais de 100 diferentes proteínas são incorporadas na família de partículas identificadas como HDL.

ApoA-I é um componente essencial de cada partícula de HDL, porém proteínas de menor abundância são variavelmente encontrados no HDL, o que resulta em heterogeneidade composicional. Essas variedades de proteínas HDL podem sofrer mudanças em estados de doença, por exemplo, em indivíduos com diabetes que o transporte relativamente baixo de paraoxonase 1 em comparação com os de indivíduos sem a doença, o que resulta na redução da capacidade anti-oxidante das partículas HDL.

Funcionalidades HDL:

A atenção voltou-se para os atributos funcionais das subfrações HDL e não da quantidade em si dos seus níveis. Foi desenvolvido um ensaio in vitro para testar a capacidade de HDL no soro para mobilizar colesterol dos macrófagos e foi demonstrado que esta medida prevê o risco de doença coronária melhor do que os níveis totais de colesterol HDL.

A importância da função do HDL vem de ensaios clínicos em doentes com síndrome coronariana aguda que recebem ApoA-I ou partículas de HDL onde resultou na regressão do ateroma coronariano.

Evidência genética humana inconsistente:

Mesmo antes dos estudos de randomização mendeliana dos últimos 5 anos, as evidências de estudos genéticos humanos anteriores, falou contra um papel causal direta de HDL na doença cardiovascular.

Dando como exemplo mutações raras em genes que codificam LCAT e ABCA1 (que irão cursar com redução do colesterol HDL) os estudos foram inconsistente associado com aumento do risco de doença cardiovascular.

- PUBLICIDADE -

Em estudos transversais, a relação entre níveis geneticamente baixos de colesterol HDL e desfechos cardiovasculares parece não ser verdade, exceto entre os pacientes com o colesterol HDL mais severamente deprimidos.

No outro extremo, as variantes genéticas associadas ao aumento do colesterol HDL estão associados de forma inconsistente com a proteção CVD.

Resultados neutros de ensaios clínicos:

Os ensaios clínicos randomizados envolvendo drogas que aumentam os níveis de colesterol HDL também têm demonstrado relações inconsistentes com os desfechos cardiovasculares.

Na era pré-estatina, os ensaios clínicos controlados por placebo envolvendo niacina ou fibratos, mostraram que a terapia com estas drogas foi associado com um risco reduzido de efeitos adversos cardiovasculares. Porém, como essas drogas possuem múltiplos efeitos sobre o perfil lipídico, isso gera uma confusão em vincular os benefícios cardiovasculares unicamente com aumento dos níveis de colesterol HDL.

Dois ataques contra inibidores da CETP:

As CETP possuem 2 ações na aterogênese:

1-      Transfere o éster de colesterol do HDL para a lipoproteína apoB, o que torna o LDL aterogênico.

2 – Atua na degradação das partículas de HDL.

Então inibindo as CETP teremos um acúmulo de partículas de HDL, o que irá aumentar os níveis de HDL-colesterol mais do que qualquer outra classe de drogas, entre 30% e 150%.

Partindo do princípio que os níveis de colesterol HDL refletem os níveis de HDL funcional, mas não medindo as subclasses, a elevação do colesterol HDL farmacológico pela inibição da CETP deve reduzir o risco cardiovascular. Mas este efeito não foi observado com dois inibidores da CETP, nomeadamente torcetrapib e dalcetrapib.

Estudo com Torcetrapib:

Em 2006, a fase III ILLUMINATE que utilizava o torcetrapib foi encerrado prematuramente devido a 60% maior risco de eventos cardiovasculares e mortalidade no grupo tratado com torcetrapib. O fracasso da torcetrapib foi atribuída a efeitos “fora do alvo”, que incluíram aumento da pressão arterial e dos níveis séricos de aldosterona e cortisol, alterando eletrólitos e prolongando o intervalo QT.

Estudo com Dalcetrapib (Roche):

Estudo multicêntrico randomizado, duplo-cego placebo controlado, estudo de fase III com 15.871 pacientes alocados aleatoriamente para receber 600 mg de dalcetrapib diário ou placebo de 4 a 12 semanas. Os níveis de colesterol HDL aumentaram até 40% no grupo dalcetrapib comparação com aumentos de até 11% no grupo placebo. Após um seguimento médio de 31 meses, uma análise interina mostrou que dalcetrapib não alterou o risco do desfecho primário ou da mortalidade total.

Conclusão:

Níveis de colesterol HDL e suas variáveis relacionadas, tais como os níveis de apo A, continuam a ser preditores clínicos incontestáveis, e ainda devem ser considerados na avaliação do risco global de doença cardiovascular.

A predição de risco não é clara, é possível que os níveis de colesterol HDL estejam correlacionadas com algumas subfrações não medidas que atuam diretamente para reduzir o risco da doença cardiovascular.

O nível de colesterol HDL no plasma total só pode ser um marcador bruto da subpopulação de partículas de HDL funcionalmente ativas e se apenas uma certa subfracção de partículas de HDL é mais importante na mediação de efeitos anti-aterogénicos, estas partículas teriam de ser avaliada utilizando métodos que não são ainda clinicamente validado, e muito menos amplamente disponível.

Intervenções clínicas, tais como perda de peso, exercício e cessação do tabagismo, são formas positivas para elevar os níveis de colesterol HDL, enquanto outras abordagens, como o tratamento com niacina, fibratos ou inibidores da CETP são menos eficazes, especialmente quando a maioria dos pacientes em risco já estão sendo tratados com a terapia com estatinas.

Referência:

HDL—is it too big to fail?

Ng, D. S. et al. Nat. Rev. Endocrinol. 9, 308–312 (2013); published online 15 January 2013;
doi:10.1038/nrendo.2012.238



PUBLICIDADES


Deixe um Comentário

Antes de enviar seu Comentário, faça o cálculo abaixo: * Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.

Powered by WordPress | Designed by: Best SUV | Thanks to Toyota SUV, Ford SUV and Best Truck