INTESTINO PRESO – PRISÃO DE VENTRE – CONSTIPAÇÃO INTESTINAL

Por: Dr. Rodrigo da Silva Reis Moura | Texto Aprovado pelo Conselho Médico do MediFoco
Atualizado em 12/04/2015

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Intestino preso

 

O que é constipação intestinal?

Intestino preso ou prisão de ventre ou constipação intestinal é o ato de defecar trabalhoso e esporádico com fezes muito endurecidas. Cada indivíduo tem seu ritmo intestinal, e considera-se normal, desde três evacuações por dia até uma evacuação a cada três dias. Entretanto, as fezes devem ser feitas sem esforço e ter consistência normal. A prisão de ventre pode afetar todas as idades, sendo mais comum em mulheres e nos limites da vida.

Neste texto veremos:

– O que pode causar o intestino preso?
– Quais os fatores de risco?
– Quais sinais e sintomas?
– Quais exames para constipação intestinal?
– Como se comprova o diagnóstico?
– Pode complicar?
– Tem tratamento? Como evolui?

Causas:

– Pouco consumo de líquidos e fibras (é a situação mais comum);
– Fatores culturais, emocionais e ambientais;
– Gravidez;
Doença de Chagas – megacólon chagásico;
– Doenças endócrinas como hipotireoidismo, diabetes, feocromocitoma, pan-hipopituitarismo;
– Alterações do metabolismo – Cálcio baixo no sangue, amiloidose, uréia alta no sangue;
– Acometimento de nervos e músculos que nasce com o paciente ou adquirido durante a vida – Doença de Hirschsprung, doença de Parkinson, defeitos raquidianos, tabes dorsalis, tumores cerebrais, esclerodermia;
– Doença do ânus causando dor ao evacuar (fissuras, tumores do canal do ânus);
– Doenças que alteram anatomia e função de cólon e reto;
– Devido a doenças de cólon e reto (doença diverticular, tumores, estreitamentos de cólon e reto, pressão externa, hérnias);
– Lentificação do intestino (síndrome do intestino irritável, inatividade do cólon);
– Uso excessivo de laxantes;
– Medicamentos (anticolinérgicos, opióides, antidepressivos, antiácidos).

Fatores que podem aumentar o risco de desenvolver constipação intestinal:

– O envelhecimento;
– Rotina de defecação errada;
– Inatividade;
– Imobilização no leito;
– Utilização de muitos medicamentos.

Sintomas do intestino preso:

– Repetição de evacuações inferior a considerada “normal” pelo paciente e/ou diminuição do volume ou consistência endurecida pelos parâmetros do paciente;
– Não ocorre vontade de evacuar;
– Dor ao defecar;
– Dificuldade de defecar ou impressão de que não esvaziou completamente o intestino;
– Impactação de fezes endurecidas no reto;
– Mal-estar, na maioria das vezes com sensação de preenchimento na parte inferior do abdome juntamente com evacuação inadequada;
– Tenesmo;
– Contraditoriamente, diarréia e perda involuntária pelo ânus.

Exames:

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– Radiografia de abdome: pode ajudar a avaliar tamanho, gravidade e, às vezes, o motivo da constipação
– Sorologias para Doença de Chagas em pacientes de áreas com casos da doença;
– Enema opaco: Permite afastar tumores e estreitamentos;
– Cinedefecografia: Pode definir mecanismos de obstipação em casos selecionados;
– Manometria anorretal: Permite avaliar esfíncteres e principalmente reflexo inibitório retoanal, que não é encontrado na colopatia chagásica nem no megacólon cogênito;
– Tempo de trânsito no cólon: Detecta se há trânsito lento no cólon ou obstrução de saída no reto;
– Retossigmoidoscopia: Excluir lesões do organismo;
Colonoscopia: Somente quando há anemia ferropriva ou presença de sangue nas fezes e o exame contrastado não foi esclarecedor.

Como se comprova o diagnóstico?

Este é feito através de dados clínicos somados ao exame proctológico e exames de imagem.

Estudos fisiológicos podem ser necessários em casos selecionados.

Complicações:

– Fecaloma;
– Megacólon quando a constipação é grave e permanece por muito tempo;
– Uso excessivo de laxantes pode promover alterações dos eletrólitos;
– Úlcera no reto;
– Volvo do sigmóide que é mais encontrado nos casos de megacólon chagásico.

Como o paciente deve ser orientado?

– Caso não haja obstrução ao fluxo intestinal deve ser ingerida uma quantidade de 20 a 30 gramas de fibra por dia. Fibras solúveis (pectinas, gomas, hemicelulose, flocos de aveia, cevada e legumes) e fibras insolúveis (frutas, vegetais, legumes e cereais integrais)
– Tomar 1,5 a 2 litros de água por dia;
– Praticar atividades físicas (caminhada e natação);
– Ir ao banheiro em horários determinados pelo paciente;
– Corrigir alterações metabólicas e endócrinas;
– Retirar medicamentos que possam agravar a constipação;
– Tratamento de desordens orgânicas que tenham a ver com a obstipação.

O tratamento cirúrgico só deve ser indicado em casos selecionados:

Ex: Parada de trânsito no cólon, megacólon chagásico, megacólon congênito, retoceles anteriores acima de 3 cm e sigmoidoceles ou enteroceles de 3° grau.

Medicamentos que podem ser usados:

– Expansores da massa fecal: Psyllium, metilcelulose e policarbofil. Dose de acordo com cada paciente;
– Lubrificantes intestinais são pouco tolerados;
– Laxantes “osmóticos”: Sulfato de magnésio, hidróxido e citrato de magnésio, fosfato e sulfato de sódio; lactulose na dose de 15 a 30 ml, 1 a 2 X ao dia;
– Incentivadores do trânsito intestinal: bisacodil, fenolftaleína, antraquinonas, sene e cáscara sagrada. Estes podem promover dependência medicamentosa;
– Supositórios emolientes;
– Em casos agudos, enema evacuatório para alívio rápido.

Evolução:

A constipação esporádica, por curto tempo e que responde a medidas básicas tem bom prognóstico. Já a constipação que persiste, quando não avaliada adequadamente pode provocar sérios danos ao paciente.



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