TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE

Por: Iara Pereira | Texto Aprovado pelo Conselho Médico do MediFoco
Atualizado em 06/11/2012

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O que é?

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é um distúrbio neurológico caracterizado por déficit de atenção, hiperatividade e impulsividade, sendo o transtorno comportamental mais comum em crianças. Sua incidência é relativamente alta. Recentemente foi realizada uma revisão sistemática sobre o tema, que englobou 102 estudos de prevalência em todo o mundo e verificou uma estimativa de prevalência de 5,29% entre indivíduos menores de 18 anos de idade, de 6,48% em crianças em idade escolar e 2,74% e entre adolescentes. Em nosso país, estudos utilizando critérios da quarta edição do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, publicada em 2002, mostram prevalências distintas de TDAH em escolares, que variam de 5,8 a 17,1%.

Causas:

Sua etiologia é variada, dependendo de fatores de natureza genética, biológica e psicossocial, sendo todos capazes de causar a mesma apresentação comportamental. A neurobiologia do TDAH ainda não esta totalmente esclarecida e a maioria dos estudos investiga a participação do córtex dorsolateral da região pré-frontal, relacionada as funções de  planejamento, organização, memória de trabalho e atenção, e na região orbitofrontal, envolvida nas respostas sociais e controle dos impulsos.

Sinais e Sintomas:

A suspeita clínica de TDAH aparece na infância, principalmente no período escolar, sendo a característica fundamental do transtorno, um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade, mais freqüente e intenso que aquele apresentado por indivíduos de nível equivalente de desenvolvimento.

Diagnóstico:

Com relação ao diagnóstico, ainda não existem testes laboratoriais, imagens neurológicas ou perfis em testes neuropsicológicos que sejam patognomônicos de TDAH. Sendo assim, a confirmação desse transtorno é feita a partir de uma boa anamnese, que conta com a colaboração de pais e professores, pela observação clínica da criança e por critérios diagnósticos descritos pelo DSM IV.

Critérios Diagnósticos para Transtorno de Déficit de Atenção/ Hiperatividade, de acordo com o DSM-IV:

 

A. Ou (1) ou (2)

(1) seis (ou mais) dos seguintes sintomas de desatenção persistiram por pelo menos 6 meses, em grau mal-adaptativo e inconsistente com o nível de desenvolvimento:

Desatenção:

(a) frequentemente deixa de prestar atenção a detalhes ou comete erros por descuido em atividades escolares, de trabalho ou outras

(b) com frequência tem dificuldades para manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas

(c) com frequência parece não escutar quando lhe dirigem a palavra

(d) com frequência não segue instruções e não termina seus deveres escolares, tarefas domésticas ou deveres profissionais (não devido a comportamento de oposição ou incapacidade de compreender instruções)

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(e) com frequência tem dificuldade para organizar tarefas e atividades

(f) com frequência evita, antipatiza ou reluta a envolver-se em tarefas que exijam esforço mental constante (como tarefas escolares ou deveres de casa)

(g) com frequência perde coisas necessárias para tarefas ou atividades (por exemplo, brinquedos, tarefas escolares, lápis, livros ou outros materiais)

(h) é facilmente distraído por estímulos alheios à tarefa

(i) com frequência apresenta esquecimento em atividades diárias

(2) seis (ou mais) dos seguintes sintomas de hiperatividade persistiram por pelo menos 6 meses, em grau mal-adaptativo e inconsistente com o nível de desenvolvimento:

Hiperatividade:

(a) frequentemente agita as mãos ou os pés ou se remexe na cadeira

(b) frequentemente abandona sua cadeira em sala de aula ou outras situações nas quais se espera que permaneça sentado

(c) frequentemente corre ou escala em demasia, em situações nas quais isto é inapropriado (em adolescentes e adultos, pode estar limitado a sensações subjetivas de inquietação)

(d) com frequência tem dificuldade para brincar ou se envolver silenciosamente em atividades de lazer

(e) está frequentemente “a mil” ou muitas vezes age como se estivesse “a todo vapor”

(f) frequentemente fala em demasia

Impulsividade:

(g) frequentemente dá respostas precipitadas antes de as perguntas terem sido completadas

(h) com frequência tem dificuldade para aguardar sua vez

(i) frequentemente interrompe ou se mete em assuntos de outros (por exemplo, intromete-se em conversas ou brincadeiras)

B. Alguns sintomas de hiperatividade-impulsividade ou desatenção que causaram prejuízo estavam presentes antes dos 7 anos de idade

C. Algum prejuízo causado pelos sintomas está presente em dois ou mais contextos (por exemplo, na escola [ou trabalho] e em casa)

D. Deve haver claras evidências de prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, acadêmico ou ocupacional

E. Os sintomas não ocorrem exclusivamente durante o curso de um Transtorno Invasivo do Desenvolvimento, Esquizofrenia ou outro Transtorno Psicótico e não são mais bem explicados por outro transtorno mental (por exemplo, Transtorno do Humor, Transtorno de Ansiedade, Transtorno Dissociativo ou um Transtorno da Personalidade

De acordo com estes critérios, para ser diagnosticado o TDAH, o paciente deve apresentar seis ou mais dos nove sintomas de desatenção definidos e/ou seis ou mais dos nove sintomas de hiperatividade/impulsividade durante pelo menos seis meses, juntamente com alguns sintomas que causam prejuízo presentes antes dos sete anos, não podendo ser mais bem explicados por outros transtornos mentais.

Com base nos sintomas, os indivíduos portadores de TDAH podem ser classificados em três subtipos: misto, predominantemente hiperativo e predominantemente desatento.

Tratamento:

O tratamento do TDAH deve ser imperativo e iniciado logo após o diagnóstico, uma vez que este transtorno é altamente prejudicial ao desempenho acadêmico do individuo. Atualmente, os medicamentos efetivos no tratamento do TDAH incluem estimulantes (metilfenidato), agentes noradrenérgicos, bupropiona e indutores de vigília.

Tal como em outros transtornos, a dose inicial da medicação deve ser mais baixa, sendo ajustada gradualmente conforme a resposta clínica do paciente. Deve-se buscar a remissão total do TDAH (e comorbidades) ou chegar à maior dose tolerada pelo paciente.

Quanto mais precoce o diagnóstico e instituição rápida do tratamento, maior a chance de diminuir as conseqüências sócias, psicológicas e acadêmicas na criança ao longo dos anos.  



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One Response para o texto: “TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE”

  1. Cicero Silva disse:

    Eu tenho muito esse problema, quando estou bastante focado de repente vejo algo na internet e foge totalmente o que estava fazendo, dai começo a ficar minutos e minutos navegando naquilo que não era pra estar fazendo, e assim em outras coisas também como atividades em casa e outros.
    Decidi usar um método chamado GTD – A Metodologia de Gestão do Tempo de David Allen, e tem dado muito certo, baixei o aplicativo Evernote e comecei a organizar todos os passos da minha vida, todos os dias.

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