TRATAMENTO DA DOR CRÔNICA

Por: Carla Ciriani Pedroso | Texto Aprovado pelo Conselho Médico do MediFoco
Atualizado em 24/09/2012

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Dor não é uma palavra fácil de ser definida. Mas podemos caracterizá-la como uma sensação desagradável que possui vários tipos de intensidade, estando associada a um dano tecidual atual ou pregresso. Não pode ser definida apenas como algo físico, mas sim também como psicológica. Um exemplo da dor psicológica seria a “síndrome do membro fantasma ou dor neuropática” em que um paciente que teve um membro amputado, após vários anos sente uma sensação dolorosa no local amputado, como se o membro ainda existisse. Se ampliarmos o conceito de DOR, podemos reunir a questão física, psicológica, social e as questões espirituais. Isso demonstra que o médico não pode olhar apenas para a dor física que acomete o paciente naquele momento.

Podemos definir dor crônica como aquela que possui mais de 6 meses. Caracteriza-se o problema do paciente em “sentir dor”, não existindo outros sintomas associados, que ocorreriam em caso de dor aguda (exemplo cólica renal). Esse tipo específico de dor pode estar presente em várias doenças, mas encontram-se presentes principalmente em pacientes com doença neoplásica ou doenças avançadas.

O paciente com câncer pode ter dor relacionada ao próprio tumor, que pode estar crescendo ou comprimindo um órgão. Se considerarmos o próprio tratamento, 20% das síndromes dolorosas estão relacionadas; 78% são causadas pelo tumor e o restante possuem outras causas.  Além da dor do próprio tumor, podemos ter outros tipos de dor relacionadas, como a dor somática, visceral, por lesão óssea ou neuropática.

Devemos considerar a dor como sendo uma doença, ou seja, temos que diagnosticar, identificar o tipo, intensidade e quantificar. Alguns dados auxiliam no prognóstico da dor, como: dor neuropática, dor incidental, dose prévia de opióides, função cognitiva, estresse psicológico, rápido desenvolvimento de tolerância e história de adição a drogas e álcool. Existe um estadiamento para dor neoplásica, também denominado Sistema Edmonton, o qual avalia o prognóstico do paciente:

ESTADIO I – Bom prognóstico
ESTADIO II – Intermediário
ESTADIO III – Mau prognóstico

Avaliar a dor é difícil de quantificar, e para isso podemos utilizar alguns métodos, como por exemplo uma escala numeral de 0 a 10, sendo que 0 representa nenhuma dor e 10 é o nível mais alto, caracterizando dor insuportável. Dessa forma, o médico irá saber se é necessário manter, diminuir, aumentar ou trocar as medicações que o paciente está utilizando. Geralmente a dor classificada como 7 ou mais é preciso um tratamento intensivo.

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 Após o diagnóstico de dor crônica, é preciso avaliar a intensidade da dor, o prognóstico do paciente e, posteriormente controlar a dor. A analgesia (significa sem dor) deve ser parte integrante do plano de assistência global do paciente oncológico, sendo necessário também:

Avaliação multidisciplinar e multifatorial completa;
Tratamento precoce em todos os estágios da doença;
 Boa comunicação entre equipe, paciente e família;
Família como unidade de cuidado;
Administração contínua de analgésico nas 24 horas;
Seguimento contínuo.

É importante lembrar que não se deve associar opióides. Se uma classe de medicamentos não está fazendo efeito, é necessário trocar a sua classe. Deve-se atentar também que às vezes uma medicação para a dor não é suficiente, mas é preciso outras medicações adjuvantes no período de meia-vida da droga principal, para evitar ou reduzir a dor do paciente. Cada paciente necessita de uma dose adequada, a qual deve ser ajustada individualmente pelo médico. O profissional de saúde também deve estar atento aos efeitos colaterais dos opióides, ou seja, se o paciente irá usar codeína muito provavelmente terá constipação intestinal e deverá ser orientado a usar laxante. Outros narcóticos irão provocar enjôo, e deve fazer parte do tratamento um plazil ou digezam (antieméticos) para evitar o efeito colateral, que deve cessar em até duas semanas de tratamento. Sonolência é outro efeito indesejado que deve passar após alguns dias de uso. Podemos utilizar como medicação adjuvante: antieméticos, antidepressivos, corticoides, laxantes e ansiolíticos, caso seja necessário, sempre com avaliação médica.

É preciso atentar para a dependência física, que irá ocorrer uma vez que os opióides ocupam receptores do sistema nervoso e, quando a medicação  de uso crônico é retirado de forma brusca, a dependência ocorre, uma vez que é necessário desocupar os receptores. Dessa forma, a medicação deve ser retirada devagar.

Os efeitos colaterais dos opióides são: constipação, naúseas, sedação, confusão, retenção urinária e depressão respiratória. Dessa forma, é preciso ter cuidado com paciente idoso e em caso de DPOC, iniciando sempre com a menor dose possível.

Existem vários obstáculos para o alívio da dor, muitas vezes relacionado à própria doença ou por mito relacionados à dependência física ou tolerância; prescrições inadequada e falta de disponibilidade dos analgésicos. Podemos utilizar outros métodos para aliviar a dor, como acupuntura, relaxamento, sonoterapia e homeopatia. Tudo aquilo que puder aliviar a dor para o paciente é válido.



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